“Será vaidade?”: a dúvida das monjas que se tornaram o rosto da Mostra
- Miguel Gabriel

- 14 de nov.
- 3 min de leitura
As Monjas Cistercienses de Rio Caldo voltam a destacar-se na Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais, onde apresentam a compota de tomate, gengibre e malagueta que lhes valeu o prémio de "Melhor Compota Conventual". Nesta edição, aceitaram também ser o rosto oficial do evento, explicando que "se tocar pelo menos um coração, já valeu a pena."

As Monjas Cistercienses de Rio Caldo voltam a destacar-se na Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais, onde apresentam a compota de tomate, gengibre e malagueta que lhes valeu o prémio de Melhor Compota. Nesta edição, aceitaram também ser o rosto oficial do evento, explicando que “se tocar pelo menos um coração, já valeu a pena.”
A Irmã Conceição afirma que vencer o prémio “é sempre uma alegria e é sempre novo” e admite que o reconhecimento pode estar ligado à forma como trabalham. “Talvez seja um trabalho feito com muito amor e pensando nas pessoas que vão consumir. Damos o melhor de nós mesmas”, refere. Sobre a compota premiada, explica que procuraram equilibrar três sabores - tomate, gengibre e malagueta - com o objetivo de criar um produto adequado para acompanhar queijo fresco ou carne fria. Antes da participação no concurso, o doce já tinha sido provado por pessoas habituadas a provas gastronómicas, que deram opiniões positivas e incentivaram a sua apresentação.
No espaço das monjas, os visitantes encontram chás preparados com plantas selecionadas, marmeladas, mel, compotas variadas e biscoitos produzidos sem ovos ou gordura animal. Este ano apresentam também uma novidade: os ouriços, pequenos bombons de chocolate preto com amêndoa laminada, fruta cristalizada e coco. Todos os produtos, dizem, são produzidos no mosteiro e com ingredientes biológicos. O processo de produção decorre ao longo dos meses anteriores à Mostra, ajustando-se ao ritmo das vendas. “Vai sendo feito conforme vai esgotando”, explica a Irmã Conceição.

Este ano, as Monjas Cistercienses assumem um papel distinto ao serem o rosto oficial da 27.ª Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais. O convite da organização incluiu uma sessão fotográfica no Mosteiro de Santa Maria de Coz, lugar historicamente ligado à presença feminina da Ordem de Cister. A decisão foi ponderada pela comunidade. “Pensámos: será vaidade?”, recorda a Irmã Conceição. Acabaram por aceitar, guiadas pela intenção que orienta o seu dia a dia: “Se tocar pelo menos um coração, já valeu a pena.” A imagem escolhida para representar a Mostra aparece em painéis, suportes gráficos e materiais de comunicação, estabelecendo uma ligação entre a tradição cisterciense e o presente. Segundo a comunidade, a receção do público confirmou a pertinência da decisão. “As pessoas receberam de tal maneira que até brincavam a pedir para rifar a irmã Fátima”, refere a religiosa.
Questionada sobre o que as leva a regressar anualmente a Alcobaça, a Irmã Conceição menciona o vínculo ao território e às pessoas. “Estar aqui é como voltar a casa. É um mosteiro cisterciense e nós somos monjas cistercienses.” A religiosa acrescenta que a convivência entre expositores e visitantes cria um ambiente familiar. “As pessoas aqui são como uma família.” As monjas continuam a viver no Mosteiro de Santa Maria do Gerês, seguindo a Regra de São Bento - Ora et Labora - e mantêm o propósito de continuar o trabalho que desenvolvem. “Se Deus quiser e se nos prestar a vida, é o nosso desejo”, conclui a Irmã Conceição.



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