Turismo na Páscoa em alta em Alcobaça, com hotéis entre 63% e 100% de ocupação
- Miguel Gabriel

- há 2 dias
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Unidades hoteleiras do concelho registam níveis distintos de procura, com reservas antecipadas e de última hora a marcar o ritmo do setor.

A taxa de ocupação turística no concelho de Alcobaça durante o fim de semana da Páscoa deverá apresentar valores distintos entre unidades hoteleiras, variando entre os 63% e os 100%, de acordo com dados recolhidos junto do setor.
Segundo Fernando Alves, ligado ao Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel, "a ocupação média prevista para o fim de semana de Páscoa está à volta dos 63%", admitindo que o valor se encontra "ligeiramente abaixo" do registado no ano passado, embora com potencial de crescimento até à data, impulsionado por reservas de última hora.
Já no Your Hotel & Spa Alcobaça, a previsão aponta para valores intermédios. O diretor André Carvalhido refere que prevê "uma taxa de ocupação média a rondar os 70%", em linha com anos anteriores, ainda que com um ligeiro decréscimo, destacando também uma "ligeira melhoria do preço médio".
No Hotel Vale d'Azenha, a previsão é mais elevada. A diretora-geral, Anabela Leitão, indica que "esperamos fechar o fim de semana da Páscoa com uma taxa de ocupação superior a 90%", um valor bastante acima dos cerca de 60% registados em 2025.
Ainda assim, há unidades que apontam para lotação esgotada. No Real Abadia Congress & SPA Hotel, a diretora Rita Leão afirma que "prevemos que a nossa ocupação se cifre nos 100%", mantendo os níveis do ano passado.
Relativamente ao perfil dos hóspedes, as unidades apresentam realidades distintas. Enquanto Fernando Alves indica que "70% são clientes nacionais e 30% internacionais", André Carvalhido sublinha a "clara preponderância do turista nacional", com alguma procura de mercados de proximidade, como Espanha. Já Anabela Leitão refere que “temos mais clientes estrangeiros, pois são reservas mais prolongadas”, antecipando ainda um reforço do mercado nacional. No Real Abadia, Rita Leão destaca também a predominância do mercado interno, com presença internacional de países como França, Espanha e Alemanha.
No que diz respeito ao comportamento das reservas, verifica-se uma tendência mista. "Temos sentido algumas reservas last minute", afirma Fernando Alves, enquanto Anabela Leitão acrescenta que "os clientes portugueses reservam quase sempre à última da hora". Também André Carvalhido aponta para “um reaparecimento de reservas de última hora com estadias mais curtas”, associado ao contexto de incerteza atual. Por outro lado, Rita Leão indica que “as pessoas estão a reservar com mais antecedência, especialmente famílias e casais”.
Quanto ao contexto internacional, nomeadamente à situação no Médio Oriente, os impactos variam. "Para já não sentimos nenhuma mudança", refere Fernando Alves. Já Anabela Leitão reconhece impacto em algumas nacionalidades, enquanto André Carvalhido considera que o efeito "não é tão evidente na região Centro", embora admita influências indiretas. Rita Leão aponta para um abrandamento da procura em períodos não festivos, associado ao aumento dos custos.
Para os próximos meses, as perspetivas são globalmente positivas, ainda que com cautela. "Esperamos uma maior procura, sobretudo no verão", afirma Fernando Alves. Por sua vez, Anabela Leitão antecipa "uma redução de alguns mercados internacionais e um aumento do turismo nacional". Já André Carvalhido considera que a procura poderá crescer com o aumento da confiança, enquanto Rita Leão resume o cenário como "moderadamente otimista, mas cauteloso".


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