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Acesso 52 teve um peso elevado nas entradas gratuitas no Mosteiro de Alcobaça

O programa foi utilizado em 57 614 das 92 612 entradas gratuitas registadas no monumento entre junho de 2025 e maio de 2026, segundo dados revelados pelo jornal Público. A ministra da Cultura, Juventude e Desporto anunciou que o programa será revisto.


Fotografia: Miguel Gabriel
Fotografia: Miguel Gabriel

Mais de seis em cada dez entradas gratuitas registadas no Mosteiro de Alcobaça foram realizadas através do programa Acesso 52. Segundo dados da Museus e Monumentos de Portugal revelados pelo jornal Público, o monumento contabilizou 92 612 entradas gratuitas entre 1 de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, das quais 57 614 ao abrigo da medida.

O Acesso 52 representou, assim, 62,2% das entradas gratuitas no Mosteiro de Alcobaça. Esta percentagem não corresponde ao peso do programa no total de visitantes do monumento, mas apenas no conjunto das entradas realizadas sem pagamento.

O valor coloca o Mosteiro de Alcobaça entre os equipamentos onde a medida teve maior expressão relativa. No Convento de Cristo, em Tomar, o programa representou 70,7% das entradas gratuitas, seguindo-se o Palácio Nacional da Ajuda, com 69,4%, o Palácio Nacional de Mafra, com 64,5%, o Museu José Malhoa, nas Caldas da Rainha, com 64,1%, e o Panteão Nacional, com 63,7%.

O peso registado em Alcobaça ficou também acima do verificado no Mosteiro da Batalha, onde 60% das entradas gratuitas foram realizadas através do Acesso 52.

No conjunto dos equipamentos tutelados pela Museus e Monumentos de Portugal, o programa foi utilizado em 849 240 entradas, correspondentes a cerca de metade das quase 1,7 milhões de entradas gratuitas registadas no mesmo período. Somando as entradas pagas e gratuitas, foram contabilizadas 3 951 639 visitas.

Estes valores dizem respeito ao número de entradas e não necessariamente ao número de pessoas diferentes. O mesmo visitante pode utilizar a medida em vários dias ou em mais do que um museu, monumento ou palácio.

Em maio, a diretora do Mosteiro de Alcobaça, Ana Pagará, tinha revelado ao alcobacadigital.com que 62 441 pessoas usufruíram do Acesso 52 ao longo de 2025.

Este valor não é diretamente comparável com as 57 614 entradas agora divulgadas pelo Público, uma vez que os períodos analisados são diferentes: o primeiro corresponde ao ano civil de 2025 e o segundo abrange os 12 meses entre junho de 2025 e maio de 2026. Os dados não permitem, por isso, concluir se houve um aumento ou uma diminuição na utilização do programa, nem saber quantas entradas ocorreram apenas nos primeiros meses de 2026.


Governo quer tornar o programa mais eficaz

Apesar da expressão alcançada pelo Acesso 52 no Mosteiro de Alcobaça, o Governo considera que o programa não está a cumprir plenamente o objetivo de levar as pessoas aos museus e monumentos com maior regularidade.

Ouvida na Comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, a ministra Margarida Balseiro Lopes afirmou que o programa terá de ser revisto, garantindo que o objetivo "não é acabar com a medida, é torná-la mais eficaz", segundo declarações divulgadas pelo Diário de Notícias.

Os números apresentados pela governante abrangem um período diferente, entre junho de 2025 e o final de março de 2026. Nesse intervalo, o Acesso 52 representou 48% das entradas gratuitas nos equipamentos abrangidos e apresentou uma média de 1,4 utilizações por pessoa.

De acordo com a ministra, mais de 70% dos utilizadores recorreram à medida apenas uma vez e pouco mais de 4% da população beneficiou do programa. Para Margarida Balseiro Lopes, estes resultados mostram que a gratuitidade não está, por si só, a consolidar hábitos culturais regulares.

"A medida não está a ser eficaz, nós precisamos mesmo de garantir que não são sempre as mesmas pessoas a aceder à cultura", afirmou, defendendo uma maior aposta na mediação cultural e nos serviços educativos. O Governo prevê lançar, em outubro, uma linha de apoio de um milhão de euros destinada a estas áreas.

A revisão terá também de responder ao procedimento de infração iniciado pela Comissão Europeia, que considera discriminatória a exclusão dos cidadãos de outros Estados-membros da União Europeia que não residam em Portugal. A ministra garantiu, porém, que a preocupação central continuará a ser o acesso à cultura.

Questionada sobre o impacto financeiro do programa, Margarida Balseiro Lopes estimou uma perda de receita de dez milhões de euros. Esse valor inclui, contudo, não apenas o efeito do Acesso 52, mas também os condicionamentos provocados pelas obras em 18 museus, monumentos e palácios que estiveram total ou parcialmente encerrados.

No caso do Mosteiro de Alcobaça, os números demonstram que o programa teve um peso elevado entre as entradas gratuitas. Não permitem, contudo, saber quantas pessoas visitaram o monumento pela primeira vez, quantas regressaram ou quantas já frequentavam o espaço antes da criação da medida.

A avaliação da eficácia do Acesso 52 dependerá, por isso, de dados que permitam distinguir o número de entradas do número de pessoas e acompanhar a regularidade das visitas. Por enquanto, sabe-se que a gratuitidade teve uma expressão significativa no Mosteiro de Alcobaça. Falta perceber se conseguiu transformar visitas pontuais numa relação mais continuada com o monumento e com o património.

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