Vestígios arqueológicos dos séculos XVI e XVII descobertos no Jardim do Obelisco
- Miguel Gabriel

- há 6 minutos
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A intervenção arqueológica associada à reabilitação do espaço identificou estruturas antigas, cuja função será agora aprofundada através de novas sondagens e escavações.

No âmbito das obras de reabilitação do Jardim do Obelisco, junto ao Mosteiro de Alcobaça, foram identificados vestígios arqueológicos que remontam aos séculos XVI e XVII, apurou em exclusivo o alcobacadigital.com.
A informação foi avançada por Nelson Borges, coordenador de arqueologia responsável pelo acompanhamento da intervenção. "A equipa de arqueologia tem vindo a efetuar o acompanhamento arqueológico da empreitada, com identificação de diversas realidades arqueológicas numa diacronia que remonta agora aos séculos XVI e XVII", afirma.
A função de algumas das estruturas permanece, contudo, por esclarecer. Segundo o arqueólogo, a interpretação é dificultada pela dimensão reduzida das áreas intervencionadas, uma vez que parte dos trabalhos decorre durante a abertura de valas.
"Algumas das áreas ainda necessitam de melhor esclarecimento para entender as funcionalidades das estruturas, algo difícil de conseguir em áreas tão reduzidas como são as que decorrem da abertura de valas", explica Nelson Borges. A equipa deverá, por isso, avançar com novos trabalhos de sondagem e escavação para avaliar os contextos considerados mais relevantes.
Numa fase inicial da intervenção, os vestígios encontrados estavam sobretudo relacionados com períodos mais recentes da história daquele espaço. A maioria encontrava-se associada à conversão do Mosteiro de Alcobaça em quartel militar, após a extinção das ordens religiosas, em 1834, tendo sido também identificadas várias dependências com origem nessa fase e posteriormente alteradas ao longo do século XX.
A identificação de realidades arqueológicas dos séculos XVI e XVII permite agora fazer recuar a cronologia dos vestígios encontrados no Jardim do Obelisco. Permanecem, porém, por conhecer com maior rigor a configuração, a utilização e o estado de conservação das estruturas mais antigas.
A área intervencionada encontra-se dentro da zona de proteção do Mosteiro de Alcobaça e poderá fornecer novos dados sobre o funcionamento quotidiano do complexo monástico, antes da transformação daquele espaço num jardim barroco, bem como sobre a sua relação histórica com o rio Alcoa.
"A qualquer momento poderemos encontrar vestígios de estruturas funcionais associadas à atividade quotidiana do Mosteiro", refere Nelson Borges. O objetivo final passa por aprofundar o conhecimento da área, da sua ligação ao Mosteiro e das sucessivas reutilizações ocorridas ao longo dos séculos.
A intervenção arqueológica constitui uma medida de minimização integrada na empreitada de reabilitação do Jardim do Obelisco, destinada a preservar e salvaguardar o património histórico e cultural que possa ser afetado pela execução da obra.
Os trabalhos incluíram levantamentos fotogramétricos, prospeção geofísica com recurso a georradar, acompanhamento técnico de demolições e limpezas do terreno e sondagens arqueológicas. O projeto da empreitada está a ser compatibilizado com os vestígios já identificados e considerados relevantes.
"O Mosteiro de Alcobaça é Património da Humanidade pela sua imponência e relevância histórica. Consideramos que isso implica respeitar a História de todo o monumento, e não apenas privilegiar determinados momentos históricos", sublinha o coordenador de arqueologia.
A empreitada representa um investimento de cerca de 1,4 milhões de euros e é promovida pelo Município de Alcobaça e pelo Património Cultural, I.P. A intervenção integra um plano mais amplo de reabilitação da Cerca do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
A operação pretende recuperar a identidade histórica dos espaços, melhorar as condições de fruição pública e criar novos usos culturais, educativos e administrativos.
Os resultados completos da intervenção arqueológica deverão ser divulgados após a conclusão da obra e a entrega do relatório final de arqueologia, em articulação com as entidades promotoras da empreitada.
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