top of page

Gárgulas: "o maior projeto" de José Aurélio são ponto de partida para um concerto

há 15 minutos
2 min de leitura

As gárgulas criadas pelo escultor alcobacense para a Torre do Tombo estão na origem de um concerto que junta Mário Marques e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, este domingo, às 18h, no Panorama – Multiusos de Alcobaça.


Fotografia: Miguel Gabriel
Fotografia: Miguel Gabriel

Mais de três décadas depois de terem sido concebidas para a Torre do Tombo, as gárgulas de José Aurélio encontram este domingo uma nova forma de expressão. O conjunto escultórico inspira "Gárgulas – Quatro painéis para um Templo da Memória", concerto que reúne o saxofonista alcobacense Mário Marques e a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob direção musical de Pedro Amaral, às 18h, no Panorama – Multiusos de Alcobaça.

A ligação a José Aurélio não é apenas o ponto de partida artístico do concerto. Numa entrevista publicada na revista a+, o escultor destacou precisamente as gárgulas quando foi desafiado a olhar para as obras mais marcantes do seu percurso. "O maior projeto, de longe, é o das gárgulas", afirmou. O conjunto, inaugurado em 1990, é formado por oito peças, cada uma com simbologia própria.

José Aurélio explicou também à a+ a relação entre as figuras e o lugar para o qual foram pensadas. "Tentei representar nas gárgulas todos os elementos da vida humana que contribuem para a existência dos documentos", contou. A associação à Torre do Tombo nasce precisamente dessa ideia: é ali que se conserva parte essencial da memória documental portuguesa. Para o escultor, a dimensão e a complexidade deste trabalho colocam-no num lugar singular dentro da sua produção artística. "Aquilo é um trabalho com uma dimensão que não é normal. Ultrapassa tudo aquilo que se possa imaginar."

É essa carga simbólica que chega agora à música. O concerto parte de quatro das figuras — O Novo, o Velho e a Morte; A Tragédia e a Comédia; O Bem e o Mal; e A Guerra e a Paz — para construir quatro painéis musicais.

O programa percorre obras de Claude Debussy, César Rafael, Erwin Schulhoff, Nelson Jesus, Erik Satie e António Victorino d’Almeida, colocando diferentes épocas e linguagens musicais em diálogo. Mário Marques assume os saxofones, acompanhado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa.

A proposta acaba também por dar uma nova leitura a uma ideia deixada pelo próprio José Aurélio na conversa com a a+. Ao falar da relação que mantém com as suas criações depois de concluídas, o escultor resumiu: "As obras de arte vivem por si." Para José Aurélio, depois de terminada, uma obra deixa de depender exclusivamente de quem a criou e passa também para o lado de quem a observa e interpreta.

Este domingo, essa ideia ganha uma expressão particularmente literal em Alcobaça. As gárgulas permanecem na pedra da Torre do Tombo, mas a memória, os símbolos e as tensões que José Aurélio lhes atribuiu passam também a ser interpretados através da música.

"Gárgulas – Quatro painéis para um Templo da Memória" realiza-se hoje, 25 de outubro, às 18h00, no Panorama – Multiusos de Alcobaça.

Comentários


bottom of page