O Piquenique

Está um dia bonito. De sol e céu limpo. Eles estão na Serra de Aire e Candeeiros. Num dos topos. No Casal de Vale Ventos. Escolheram este local e este momento para relaxar. E a inspiração vem daquele contexto.

Em frente, lá ao fundo, vê-se o mar. De lado, vê-se serra e mais serra: o verde, as pedras, as árvores e mais árvores. Neste sítio, sentam-se e contemplam-se. Um ao outro.

Não, não estão ali para um pedido de casamento. O rumo da história parecia esse, não é? Pois. Mas são casados. Esse passo já eles deram. Estão ali para apreciar o horizonte.

Ele é alto. Bem parecido. Giro que dói. Ela é mais baixa. “Anafadinha”. Sorridente. Estão ali de mão dada, encostados a uma pedra. É fácil imaginar o cenário.

Mas não estão sozinhos. Estão com os filhos. Três. Um rapaz e duas raparigas.

Ele é mais velho. Anda de um lado e para o outro, de bicicleta. Elas, gémeas, mais novas, saltam de pedra em pedra, de flores e folhas nas mãos.

De repente, chegam mais dois carros.

Param ao lado da carrinha que já lá está estacionada. Ouvem-se as portas abrir e a fechar logo de seguida. Ouvem-se as crianças que seguem a correr, a gritar de felicidade. Cumprimentam-se todos.

Depois, os adultos, preparam o que, na verdade, os levou até ali. Um piquenique.

Abrem as malas dos carros e retiram o que prepararam. Cestos, toalhas, bancos, sacos com fruta, caixas com talheres, caixas com comida. Um saco de guloseimas. E um bolo de aniversário. Afinal, há algo para celebrar.

Escolhem uma das pedras, a mais direita, para fazer de mesa. Colocam tudo em cima. Partilham o que cada um traz. Tudo pronto? Chamam a criançada.

Comem, petiscam, brindam, tiram fotografias e fazem pequenos vídeos.

Depois, o tempo é de brincadeira para uns, para os mais resistentes e de sesta para outros, para os mais pequenos. Dormem ali, deitados numa toalha, à sombra de um dos carvalhos deste espaço.

A meio da tarde cantam os parabéns. E imaginam a quem? Às gémeas, às filhas do casal do início desta história. 6 anos… celebrados aqui no topo da Serra de Aire e Candeeiros.

E aqui ficaram, imagino eu, até o sol se por ou perto disso. Porque já não assisti ao fim da festa de um sábado bem bonito de primavera.

Esta história é verdadeira. Assisti a ela há uns anos, num dia em que também eu passeava e passava tempo por aqueles lados. Com aquela vista de perder… a vista.

De lá para cá… hoje. Agora: o ano mudou.

Costuma ser tempo de fazer balanços e definir novos objetivos para os doze meses que aí veem. E porque não se compromete a fazer mais piqueniques em família e com os amigos, em 2019? E porque não aproveitar os muitos recantos da nossa região para partilhar os momentos mais (ou menos) importantes da sua vida?

Estamos sempre a tempo de recomeçar. Sempre.

Feliz ano novo!

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