A Magia

Acabo de saber que os The Gift vão lançar um novo álbum este ano. Vem aí o “Verão”. Depois do “Altar” e da “Primavera”. Estou a escrever ao som da banda. Vou contar-vos uma história. Três e meia da tarde. Hora combinada em Alcobaça. O ponto de encontro é no café da rua Engenheiro Bernardo Vila Nova. A rua que “dá de frente” com o Centro de Emprego. Conseguem imaginar o meu entusiasmo? Ir trabalhar a Alcobaça e, principalmente, com a malta dos The Gift? Que loucura! A Sara, a manager da banda, chega primeiro. - “Eles estão quase aí” – diz. Eu não bebo café, escolho uma garrafa de água. O Zé, o meu colega repórter de imagem, bebe a bica. Ali, paredes meias, com o mosteiro. Ouvem-se os sinos. Quatro da tarde. Não faz mal, mas o entusiasmo aumenta, ainda mais, com a passagem do tempo. Quarta-feira, dia 10 de dezembro. A tarde está fria. Mas o sol ainda bate, com alguma força. Sabe bem. Quatro e um quarto. Chegam eles. O Nuno e a Sónia. A mil à hora. Sentam-se na cadeira da esplanada para respirar. - “Desculpa, Ana. Reuniões de última hora”. - “Não faz mal” – respondo. - “Queremos é que cantem para nós. Só isso. Temos tempo”. O Nuno assume o comando: - “’Bora. É aqui já ao lado.”. Entramos por uma porta castanha. Subimos pelo menos dois lances de escadas até a um primeiro andar (que parece um segundo). A sala surpreende. Grande. Ampla. Com muita luz. O chão é de madeira. No meio, está o piano. Preto. Maravilhoso. Em cima de um tapete avermelhado. Fico ainda mais rendida. - “Pode ser aqui?” – pergunta o Nuno. - “Claro!” – respondo. Colocamos a câmara no sítio certo e o microfone vai para as mãos de quem sabe. E a magia acontece. Foi em 2015. A propósito dos 100 anos do nascimento de Frank Sinatra. Para o “Jornal das 8” do dia 12 de dezembro preparei uma reportagem em que juntei duas gerações numa homenagem ao cantor norte-americano. O “remake” do tema “My Way”, interpretado pela Sónia e pelo Nuno, fechou a peça que começou com as memórias de Carlos do Carmo. Em Alcobaça, dois dias antes, bastou um ensaio, à nossa frente. Gravámos a música três vezes. A primeira foi de plano aberto na câmara, com o som na íntegra. Seguido, sem interrupções. A seguir, pedimos para repetir duas vezes para gravar os planos de pormenor e os planos de corte. Coisas da técnica televisiva. O resultado final foi maravilhoso. Ainda hoje me arrepio. E é essa canção que estou a ouvir, porque (claro) também gravei esses momentos no meu telemóvel. Valem ouro! Voltando a 2015: dias depois, a 19 de dezembro, num Meo Arena cheio, a meio do concerto, repetiu-se a magia. Num palco colocado no centro da plateia, o Nuno e a Sónia, voltaram a surpreender. A mim, pela honra de lhes ter colocado esse desafio, e aos fãs que ali, do nada, sem estarem à espera, acompanharam a interpretação do tema. Procurem! E deliciem-se! Até ‘pra semana.

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