Nostálgica, me confesso!

Entro na garagem e ouço o estalar da casca de pinheiro que não resiste à fúria das chamas. É sinal de que a lareira está acesa. Chego à sala vazia e reparo na intensa cor alaranjada, que contrasta com o escuro que domina o espaço. As luzes estão apagadas. Estão todos a dormir. É de madrugada. São duas da manhã.

Chego de um serão prolongado e muito bem passado. É das primeiras saídas à noite de carro. O primeiro carro. Na verdade, o carro do pai, porque a carta de condução é recente. Mas é o carro. O sinal de alguma autonomia.

Minutos antes, esse tal carro da autonomia, estava estacionado no parque do mercado. E lá esteve enquanto jantámos num dos restaurantes do centro da cidade, com entradas e mais entradas, pratos atrás de pratos... petiscos que enchem o olho, a alma e o estômago.

E lá esteve também o carro, no parque do mercado, para além do tempo do repasto, e até acabar o tempo da ida ao café daquele sábado à noite, paredes meias com o Mosteiro.

A noite estava fria. Mas a companhia uns dos outros aconchegou e tornou mais quentes aqueles momentos de reencontro. Foi há 15 anos. Estava a começar o mês do Natal... tal como hoje.

As luzes das ruas estavam montadas. Apenas algumas ligadas, para teste – tinham-me explicado. Junto à escadaria do edifício da câmara (sim, fiz questão de passar pela rotunda da câmara) estava uma enorme árvore, numa estrutura de plástico, a reluzir, de cima a baixo. Lembro-me de a apreciar com espanto e agrado. Foi o convite para que, no dia seguinte, no domingo depois da missa, eu montasse as duas lá de casa.

Pareço lamechas, eu sei. Mas esta quadra deixa-me, assim, nostálgica e com vontade de estar sempre em Alcobaça. Talvez, porque nós, os que estamos fora, apreciamos a “terra”, porque estamos precisamente fora dela. Porque temos saudades do som da lareira, dos (meus) pais e do resto da família, da vista do Mosteiro, da vista para a Serra (a minha lá de casa, da qual me orgulho tanto...), da comida (aquela... da boa) e dos amigos. Tenho ideia de já vos ter escrito a propósito desta ligação umbilical a Alcobaça. É tão forte que não me canso de reforçar a ideia.

Bem, mas agora vou montar a árvore de Natal cá de Lisboa. Em breve farei as duas de Alcobaça. A tarefa é habitualmente minha, com a ajuda dos sobrinhos. A família aprova.

Está quase. O Natal está aí. Que comecem as festas. Boas Festas! Até breve.

 

 

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