Está quase, quase!

Uma e meia da tarde e já estamos prontas. De ténis brancos, vestidos compridos de cor azul cintilante e com uma bandelete. Mas não é uma bandelete qualquer. Tem uns arames pregados de onde saem duas plumas douradas compridas. Vão até à cintura. Lindas! Conseguem imaginar?

Compomos um grupo de vinte. Conheço todas. Algumas são da minha turma. Estamos em fila para que a Dona Paula nos maquilhe. Uma a uma.

Duas da tarde e nós, os sambistas (assim nos chama o senhor da escola de samba - a verdadeira - que veio de propósito do Brasil para nos ensaiar), começamos a juntar-nos e a colocar-nos de acordo com a ordem definida.

Cada grupo tem um carro alegórico. Desfila à frente dele. O nosso é o terceiro. É o da onda. Uma estrutura grande, azul, que tem por cima um barco e várias pranchas feitas de esferovite. O tema é o mar da Nazaré. Lá em cima já estão algumas meninas, mais pequenas e mais novas, vestidas iguais a nós.

Está um dia fresco, mas está sol. Menos mal. A chuva bem ameaçou nos últimos dias. É domingo. É o primeiro desfile deste ano.

Três da tarde. Começa a música. E lá vamos nós pelo percurso em frente ao Mosteiro de Alcobaça. Até às seis da tarde.

Foram três horas de muitos aplausos, muito samba (mal dançado por nós, obviamente…), muitos beijinhos e acenos a quem, no público, nos reconhecia. Amigos e família. E, sobretudo, muita vergonha. Devem ter sido umas vinte voltas até acabar o desfile.

Participei em pelo menos três. Foram um máximo. Alguns deles chegaram a ser transmitidos pela televisão, pela SIC. E eu cheguei a gravar, para ver, depois, quando chegava a casa.

Foi uma fase bem divertida do carnaval de Alcobaça. Entre 1998 e 2002. Muito pouco portuguesa, é um facto, mas bem animada.

Lembro-me da cidade cheia. Filas de carros para entrar e sair. Tudo para ver os sambistas e, acima de tudo, o João Baião, os brasileiros Ronaldo, Susana Werner e a Tiazinha e ainda os atores Mário Frias e Nívea Stelmann, Paula Neves e José Carlos Pereira. As estrelas daqueles anos.

Lembro-me ainda, com muito carinho e saudade, aquele que para mim foi o primeiro grande samba de Alcobaça. A música da Claustrofolia de 1998: “Alô Alcobaça! Faz a festa, faz a festa! Vem amor nessa alegria, salve o Rei e a Rainha. Abram alas que lá vem, lá vem, lá vem, Claustrofolia”. A letra ainda faz referência aos monges e à padeira de Aljubarrota. E mais ainda: “E no Mosteiro de Alcobaça, sim senhor! Tem uma lenda: a passagem do amor!”. Que maravilha. Parece que já estou a bater o pé, a dançar.

Outros tempos. Tempos que não perduraram. Nem podiam. As restrições financeiras não o permitiram e, mais do que isso, as novas gerações foram pedindo mais e diferente.

Sem festa “oficial” em Alcobaça, passámos, depois, alguns anos a festejar “à grande” no carnaval da Nazaré. Felizmente, nos últimos anos, assentámos arraias nos cafés e bares do rossio e na tenda em frente ao Mosteiro de Alcobaça.

Porque Alcobaça é carnaval. E do bom. Graças aos foliões do concelho que levam esta festa a sério. Que bom.

Apesar do carnaval já ter começado, com algumas festas de “aquecimento”, a verdadeira explosão está quase aí!

Divirtam-se! Até domingo.

 

 

insira o seu e-mail e recebe as melhores experiências

[newsletter]