A primeira vez!

Ainda estou a atravessar a estrada, na passadeira, e, de repente, em frente, deixo de ver a cabeça de um rapaz. “Terá caído?” – penso de imediato. Logo depois, vejo outro. Mas desta vez, o jovem estava como que a subir umas escadas, a vir à superfície... mas em movimento, rápido e veloz. Em poucos segundos, começo a ouvir barulhos de rodas. “Carrinhos de rolamentos, aqui?” – volto a questionar-me, agora em voz alta. “Deve ser” – responde o meu pai.

E, de um momento para outro, somos surpreendidos.

Ali, num espaço de poucos metros, estão dezenas de rapazes e raparigas. De várias idades. Parecem estar coordenados, num corrupio de saltos e corridas, em pares ou individualmente. Cada um na sua vez. De um lado e do outro. Uns de skate, outros de patins, alguns de bicicleta, dois em cima de segways. Sentados no chão, nos bancos e muros de cimento, estão outras tantas pessoas: pais, irmãos, amigos... imagino eu. Uns a tirar selfies, outros a comer gelados, e ainda outros, de óculos escuros, apenas e só... a seguir aqueles jovens aventureiros, no skatepark.

Que adrenalina, ali. Que surpresa boa. E o passeio ainda agora está a começar.

Seguimos pela ponte. Descemos. Pelo caminho, encontramos amigos e conhecidos, que o meu pai cumprimenta. “Olá, boa tarde” – diz a uns. “Estamos a passear. Pai e filha” – diz ao senhor Manuel. E eu a sentir-me orgulhosa, por sentir que ele está feliz e descontraído, naquele momento. “Temos de voltar cá e trazer a tua mãe” – ordena ele, já a chegar à zona da cafetaria.



Entretanto, procuro pelo Francisco, um dos meus sobrinhos, que, nesta tarde de férias da Páscoa, está comigo. Deixo de o ver. Procuro com mais atenção. Claro: está no parque. De bola de futebol na mão, sobe ao escorrega e desce. Senta-se no carrocel. Corre, depois, relva fora, onde acaba por dar uns toques na bola.

Enquanto o vejo, sento-me num dos bancos. O meu pai conversa, em pé, uns metros mais à frente, com um antigo cliente.

E, ali, aproveito para olhar. Apreciar, na verdade. O espaço está cheio. A tarde está boa. Está sol. Um sol que aquece e ajuda a sentir-me ainda mais confortável.

Vejo antigos colegas da escola a brincar com os filhos. Bebés e crianças pequenas, cheias de energia. Correm e lancham, ao mesmo tempo. O João está, também, a passear o cão. A Joana está a cumprimentar umas amigas. A Maria de Fátima corre, de mão dada, com a neta. A dona Cristina está na esplanada da cafetaria a ler. A Rita corre, a bom ritmo, de auscultadores no ouvido. Vai pelos caminhos do percurso pedonal, que acompanham o curso do rio Alcoa. Passa pelo senhor Aníbal e pela esposa, que estão a caminhar, de mão dada.

É sentada neste banco que vejo isto tudo. Isto e muito mais. Há vida, ali... num espaço de seis hectares. Num espaço que durante anos não era mais do que pedra e terra. Hoje, transformado num dos mais badalados, anunciados e, por estes dias, ocupados espaços da nossa região.

É a minha primeira vez... no Parque Verde de Alcobaça. Com orgulho e esperança de cá voltar muitas e muitas vezes. Porque, como diz a canção: “Quem passa por Alcobaça, não passa sem cá voltar”. Ora, adaptando... “Quem passa pelo Parque Verde, não passa sem cá voltar.” E vocês?

Páscoa feliz. Até à próxima história.

 

 

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